Candelária: 40 km/h não é sugestão: a cidade também é de quem caminha A cidade é de todos — inclusive de quem atravessa a rua a pé

TRÂNSITO: Uma rua larga não é uma pista de corrida Talvez porque algumas ruas sejam largas, retas e aparentemente tranquilas, exista a impressão de que é possível acelerar um pouco mais.

Candelária: 40 km/h não é sugestão: a cidade também é de quem caminha A cidade é de todos — inclusive de quem atravessa a rua a pé
Imagem ilustrativa - Foto: Aroni Fagundes | Candeias News play

| Por Aroni Fagundes | Candeias News ▶ play

Há coisas que fazem parte da rotina de uma cidade e, justamente por serem tão comuns, acabam deixando de chamar atenção.
Uma delas está nas ruas de Candelária.
Em determinadas vias urbanas, a sinalização estabelece limite de 40 km/h. O número está ali, visível, para quem conduz veículos. Mas basta observar o movimento cotidiano para perceber que nem todos respeitam aquilo que a placa determina.

E aqui é preciso fazer uma ressalva: não se trata de generalizar. Muitos motoristas conduzem seus veículos dentro da velocidade permitida e com o cuidado necessário. A questão é justamente aquele comportamento de alguns que parece considerar o limite de velocidade apenas uma recomendação.
Não é.

| Uma rua larga não é uma pista de corrida
Talvez porque algumas ruas sejam largas, retas e aparentemente tranquilas, exista a impressão de que é possível acelerar um pouco mais.
Mas uma cidade não é uma rodovia.
Nas ruas estão crianças e adolescentes indo ou voltando da escola, idosos atravessando, pessoas caminhando, ciclistas, motociclistas e motoristas que precisam cruzar uma esquina ou acessar uma garagem.
A largura da rua não elimina a presença de pessoas.
E muito menos transforma uma regra de trânsito em uma sugestão.

| O que diz o Código de Trânsito Brasileiro?
O Código de Trânsito Brasileiro estabelece, no artigo 28, que o condutor deve manter, a todo momento, o domínio do veículo e dirigir com atenção e cuidados indispensáveis à segurança do trânsito.
Já o artigo 61 determina que a velocidade máxima permitida deve ser indicada por sinalização, considerando as características da via e as condições de trânsito. Na ausência de sinalização regulamentadora, o próprio Código estabelece limites conforme a classificação da via — entre eles, 40 km/h para vias urbanas coletoras e 30 km/h para vias locais. A autoridade de trânsito também pode regulamentar velocidades diferentes por meio de sinalização.
Portanto, quando existe uma placa indicando 40 km/h, não estamos diante de uma sugestão colocada na rua para decoração.
É uma regra de circulação.

| O problema não é chegar cinco minutos antes
Existe uma pergunta simples que talvez todos nós devêssemos fazer antes de acelerar:
Vale a pena ganhar alguns minutos colocando outra pessoa em uma situação de risco?
Provavelmente não.
O trânsito exige convivência. Quem está atrás de um volante tem responsabilidade não apenas sobre o próprio destino, mas também sobre aqueles que compartilham a mesma via.

O CTB, inclusive, prevê penalidades para quem transita acima da velocidade máxima permitida. O artigo 218 classifica a infração de acordo com o quanto o limite foi ultrapassado: até 20% acima, infração média; mais de 20% até 50%, grave; e acima de 50%, gravíssima, com multa agravada e suspensão do direito de dirigir.

| A cidade pertence a todos
Talvez a discussão mais importante não seja simplesmente sobre multas.
É sobre cultura.
Sobre entender que uma criança atravessando uma rua não tem como calcular a velocidade de um carro que se aproxima. Que um idoso pode precisar de mais tempo para completar uma travessia. Que um estudante distraído pode cometer um erro. Que uma pessoa pode sair de trás de um veículo estacionado.
E é justamente por isso que as regras existem.
O trânsito seguro não depende somente de placas, fiscalização ou punição. Depende também da decisão individual de respeitar aquilo que está estabelecido.

| Chegar ao destino é o que importa
Candelária é uma cidade onde as pessoas se encontram, caminham, estudam, trabalham e vivem.
As ruas fazem parte dessa vida.
Por isso, talvez seja hora de olhar para aquela placa de 40 km/h de uma maneira diferente.
Não como algo que atrapalha a pressa.

Mas como um lembrete de que, do outro lado do volante, há uma cidade inteira compartilhando o mesmo espaço.
Porque, no fim das contas, trânsito não deveria ser uma disputa para ver quem chega primeiro.
Deveria ser o caminho seguro para que todos cheguem.

Fonte: Código de Trânsito Brasileiro — Lei nº 9.503/1997, especialmente arts. 28, 61 e 218.
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