Depois da Semana Farroupilha, fica uma pergunta: o que estamos fazendo pela tradição?

🔴 COLUNA OPINIÃO & CRÔNICA - Coluna : Opinião e crônica - por Aroni Fagndes

Depois da Semana Farroupilha, fica uma pergunta: o que estamos fazendo pela tradição?
Imagem - Canva PRO - Arte: Aroni Fagundes

| Por Aroni Fagundes | Candeias News ▶ play


Passaram os festejos farroupilhas. As bandeiras começam a ser recolhidas, os palcos são desmontados, os bailes terminam, os cavalos retornam às suas rotinas e os últimos acordes da Semana Farroupilha vão ficando para trás.
Mas talvez seja justamente agora que deva começar a nossa reflexão.

| O que estamos fazendo pela tradição gaúcha?

É fácil vestir a pilcha, participar de um baile, assistir a uma apresentação, publicar uma fotografia e dizer que somos tradicionalistas. Mais difícil é compreender que a tradição não existe apenas durante o mês de setembro.
Ela exige presença, respeito, participação, responsabilidade e, principalmente, compromisso com aquilo que dizemos defender.

| O que é, afinal, um CTG?

Um Centro de Tradições Gaúchas não deveria ser apenas um lugar onde se dança, se faz um baile ou se reúne a comunidade.
O CTG é, em sua essência, um espaço de preservação, vivência e transmissão da cultura gaúcha. É onde crianças, jovens e adultos podem aprender sobre danças tradicionais, música, poesia, história, indumentária, culinária, costumes, respeito e convivência.
É também um lugar onde uma geração entrega conhecimento à próxima.

Por isso, um CTG não se sustenta somente pela sua estrutura física ou pela programação de setembro. Ele vive pelas pessoas que se dispõem a mantê-lo vivo.

| E aqui começa a parte incômoda da reflexão
Será que estamos realmente contribuindo?
Ou muitas vezes pensamos somente naquilo que eu quero, naquilo que eu acho certo, naquilo que me interessa?

Tradição também significa entender que nem tudo precisa acontecer exatamente conforme a nossa vontade.
Existe uma história construída antes de nós. Existem regras, costumes, símbolos e conhecimentos que precisam ser respeitados. E, ao mesmo tempo, existe uma responsabilidade nossa de ensinar, preservar e transmitir tudo isso às novas gerações.

| Não existe tradição sem respeito.
E não existe futuro para uma tradição quando cada um passa a defendê-la somente quando ela atende aos seus próprios interesses.
O CTG não é propriedade de ninguém
Essa talvez seja uma das maiores reflexões que podemos fazer.

Um CTG pertence à sua comunidade tradicionalista. Ele é construído pelo trabalho de muitos: patrões, prendas, peões, dançarinos, músicos, instrutores, pais, mães, colaboradores, cozinheiras, campeiros e tantos outros que muitas vezes trabalham silenciosamente.
Por isso, é preciso cuidado para não transformar a tradição em disputa de egos.

O protagonismo pessoal não pode ser maior do que a própria tradição que todos dizem defender.
Se uma criança entra em um CTG e aprende uma dança, uma música, uma história ou simplesmente aprende a respeitar o próximo, ali já existe um resultado que vai muito além de uma apresentação.

| Depois do aplauso

A Semana Farroupilha termina.
Mas a cultura continua.
Continua no ensaio, na roda de conversa, na pesquisa, no aprendizado dos jovens, no cuidado com a indumentária, na preservação das danças, na música, na poesia e na disposição de ensinar aquilo que recebemos de quem veio antes.
Por isso, talvez a pergunta mais importante depois dos festejos não seja “como foi a nossa Semana Farroupilha?”
| Talvez seja:
“O que eu fiz para que a nossa tradição continue existindo depois que a Semana Farroupilha acabou?”

Cada um terá sua própria resposta.
E talvez seja justamente nessa resposta que esteja o verdadeiro significado de ser tradicionalista.

Porque tradição não é apenas aquilo que mostramos em setembro.
É aquilo que estamos dispostos a preservar durante todo o ano.


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