IPCA-15 registra deflação de 0,40% em agosto e tem maior queda em quatro anos

ECONOMIA: Queda foi puxada principalmente pela redução nas tarifas de energia elétrica, além de recuos em transportes e alimentos. Em 12 meses, inflação desacelerou para 4,24%

IPCA-15 registra deflação de 0,40% em agosto e tem maior queda em quatro anos
Foto: Prompts|Aroni Fagundes|IA

  Edição - Aroni Fagundes | CN

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou deflação de 0,40% em agosto. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A queda representa uma forte mudança em relação a julho, quando o índice havia registrado alta de 0,06%. A variação de agosto é também a maior deflação em quatro anos e a primeira queda do indicador em 12 meses.

No acumulado de 2026, o IPCA-15 registra alta de 3,09%. Já no período de 12 meses encerrado em agosto, a inflação ficou em 4,24%, abaixo dos 4,52% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Conta de luz teve papel decisivo
Um dos principais responsáveis pelo resultado negativo foi o grupo Habitação, que apresentou queda de 1,41% e contribuiu com -0,22 ponto percentual para o índice.

O destaque ficou por conta da energia elétrica residencial, cujos preços recuaram 6,25%. A redução foi influenciada pelo chamado Bônus de Itaipu, que concedeu um desconto nas contas de energia de milhões de consumidores.

O benefício teve impacto expressivo sobre o resultado de agosto e ajudou a compensar outros preços que continuaram subindo.

Transportes e alimentos também ficaram mais baratos
Outro grupo que contribuiu significativamente para a deflação foi o de Transportes, que apresentou queda de 1,00%, com impacto de -0,20 ponto percentual no índice.

Entre os itens que ajudaram a reduzir os preços estão as passagens aéreas e os combustíveis, incluindo gasolina e etanol.
Já o grupo Alimentação e bebidas registrou queda de 0,57%, contribuindo com -0,12 ponto percentual para o resultado geral.

Entre os alimentos que apresentaram redução de preços estão produtos como tomate, batata, cenoura e café moído.
Nem todos os preços caíram

Apesar da deflação geral, o resultado não significa que todos os produtos e serviços ficaram mais baratos.

Segundo os dados divulgados pelo IBGE, alguns grupos registraram aumento em agosto. Despesas pessoais tiveram alta de 0,66%, Educação subiu 0,46% e Saúde e cuidados pessoais avançou 0,40%.

Isso significa que a queda do IPCA-15 representa uma média dos preços pesquisados e não necessariamente uma redução no custo de vida de todas as famílias.

Inflação em 12 meses volta para 4,24%
Com a queda registrada em agosto, a inflação acumulada em 12 meses passou de 4,52% para 4,24%.
O resultado coloca o índice dentro da faixa de tolerância da meta de inflação, embora os preços ainda apresentem alta quando considerados os últimos 12 meses.

O resultado também veio melhor do que as expectativas do mercado. Uma pesquisa da Reuters apontava previsão média de queda de aproximadamente 0,30% para o IPCA-15 de agosto, enquanto o resultado efetivo foi de -0,40%.

O que o resultado significa para o consumidor?
A deflação é uma notícia positiva no curto prazo, especialmente porque alguns gastos importantes das famílias ficaram mais baratos. A redução da energia elétrica, dos combustíveis e de determinados alimentos pode aliviar temporariamente o orçamento doméstico.

Entretanto, especialistas costumam destacar que um único mês de deflação não significa que o país entrou em um período prolongado de queda de preços. Parte importante do resultado de agosto veio de fatores específicos, como o bônus aplicado à conta de luz.
Por isso, o comportamento dos preços nos próximos meses será fundamental para avaliar se a desaceleração da inflação é sustentável.

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