Comercialização do tabaco gera insegurança a fumicultores
AGRICULTURA | Produtores enfrentam situações de suspensão, redução e até de devoluções de compras, além do preço estar baixo
27/03/2026 10:29:12
Edição por Aroni Fagundes | CN
A colheita da safra 2025/2026 do tabaco na Região Sul, que produz 90% do produto brasileiro, está praticamente finalizada. Mas a comercialização ainda não superou os 20% da produção. E já há relatos de suspensão ou redução nas compras pelas indústrias, queda nos preços e conflitos na classificação do tabaco nas propriedades, segundo informações do site: www.correiodopovo.com.br.
Conforme o presidente da Afubra, Marcilio Drescher, neste ciclo tem ocorrido um cenário diferente do registrado nas últimas safras.
Nos anos recentes houve maior equilíbrio entre oferta e demanda e, em alguns momentos, até escassez do produto, o que resultou em preços pagos acima da tabela ou, no mínimo, o pagamento integral dos valores de tabela para classes de melhor preço.
“No entanto, diante do aumento da produção na safra passada, que superou 700 mil toneladas, somado à perspectiva de uma nova safra próxima desse mesmo volume, começa a se configurar uma saturação no mercado mundial de tabaco”, explica Drescher. “Não se trata apenas de uma realidade brasileira, mas de um contexto internacional, marcado também pela concorrência de outros países produtores, especialmente na África, entre outras regiões”, complementa.
Assim, descreve, nesse ambiente se repete situações de safras anteriores, com a adoção de critérios mais rígidos de classificação por parte das empresas, muitas vezes com base nas normativas e nos padrões estabelecidos pelo Ministério da Agricultura. “Essa situação preocupa os produtores, pois impacta a média de remuneração, que tende a ficar abaixo da registrada em anos anteriores”, explica.
Custos de produção
“Essa preocupação se intensifica porque muitos produtores tomam como referência a média de preços obtida nas últimas safras para planejar seus orçamentos e investimentos. Ao mesmo tempo, houve aumento nos custos de produção, o que torna ainda mais necessário que o preço médio pago ao produtor seja justo, coerente e minimamente compensador, preservando o equilíbrio econômico da atividade.”